domingo, 30 de abril de 2017

Porto Alegre

Saindo de Rio Grande agora, indo pra Porto Alegre. Chego do meio pro fim da tarde, devo passar na Lima e Silva pra sentir o clima e talvez expor. Depois, não sei. Verei.

domingo, 23 de abril de 2017

A barragem dos metais pesados nas águas do finado rio Doce

Em fevereiro de 2016 estive na parte capixaba do rio Doce, encontrei uma transposição do rio Doce, feito pela então Aracruz Celulose, hoje Fibria, que levava água para o rio Riacho, que não estava dando vazão às necessidades da fábrica de celulose. Isso por volta de 2009 ou 10, não estou bem certo, e contra a vontade da população, que se organizou, protestou, mas perdeu pros interesses empresariais, reprimidos pelo poder dito "público". 

Com a chegada dos metais pesados, nocivos à maquinaria, construíram uma barragem com filtros, que tirava os metais pesados da água, de modo que ela voltasse a servir na produção. Filmei, corri atrás de edição, analfabeto internético que sou e, finalmente, em julho, publiquei o vídeo. É a segunda vez que o trago a público, desta vez em foco principal.

A questão era: se há possibilidade de filtrar essa lama de rejeitos da mineração, por quê não se fazem filtros como esse desde lá de cima, no rio Gualaxo do Norte, onde estourou a barragem, e pelo rio do Carmo, até o encontro com o Piranga e a formação do rio Doce? Por que não se fazem quantas barragens dessa forem necessárias, na busca de uma diminuição no sofrimento dos cerca de três milhões de pessoas que vivem às margens do rio assassinado? Por quê as máquinas têm prioridade sobre as pessoas?

Perguntas fáceis de responder, quando se vê no Estado e em suas instituições uma grande farsa, a serviço dos poderes econômicos, na guerra das empresas contra os povos, uma guerra de dominação e conquista, de poder e controle, que cria ignorância e desinformação pra manter o sistema social sob a ditadura financeiro-empresarial em que se encontra.


sábado, 22 de abril de 2017

Relatos de delatores desmascaram o Estado

Nunca tinha visto as entranhas da sociedade serem expostas dessa maneira. Taí a explicação da miséria, da ignorância, da violência, da criminalidade, da barbárie, da situação de degradação social em que vivemos. Os relatos nas delações da Odebrecht mostram o corriqueiro dos procedimentos, nas relações da empresa com os poderes públicos. Não se trata só da área da construção. É óbvio que é da mesma forma em todas as áreas. A naturalidade das falas, "há trinta anos eu estou nesse ramo, há trinta anos que é assim"; os relatos das visitas, das conversas, dos encontros, das reuniões, mostram algo mais que um escândalo de corrupção entre uma empresa e um governo. Revelam como o Estado, o aparato público, as instituições funcionam, como é o seu modo de proceder rotineiro, recebendo dos ricos pra roubar os pobres. Pra enganar os pobres. Pra manter a pobreza.

O domínio de laboratórios farmacêuticos, indústria da medicina e as empresas de planos de saúde explica a situação da saúde pública, a penúria, o abandono, a desimportância, negada por números oficiais mas visíveis a quem quiser ver, na realidade.

As "revitalizações" que vieram em ondas, nestes tempos, puseram milhares de pessoas nas ruas. Só na Copa e nas Olimpiadas, as obras que interessavam às empreiteiras, financiadoras de campanhas eleitorais e midiáticas expulsaram de suas casas mais de trezentas mil famílias, grande parte sem direito a nada, exatamente as em piores condições. Em todo território nacional é a mesma coisa.

Em toda parte é senso comum obra pública superfaturada e sub-construída. Foi naturalizada a "roubalheira" que de vez em quando a mídia levanta pontual, focada em alguma área de interesse no momento, em disputas de espaço e controle, colocando todo mundo na rua a papagaiar suas falas inventadas, cheias de distorção calculada, controle mental em efeito. A sabotagem da educação facilita o trabalho da mídia, que foi toda construída pra fazer exatamente o que faz, distorcer a realidade e controlar a opinião pública. A gente aí, querendo o programado, vivendo condicionada, atrás de ilusões muito bem criadas pra ocupar as vidas.

De repente se descara o funcionamento do Estado. Tá explicado o massacre permanente dos povos originários, do massacre nas favelas, nas periferias. Tá explicada tanta maldade nos serviços públicos, tanta carência de recursos e tanto sofrimento. Tá explicada a ignorância, a miséria, a violência, a criminalidade. Tá explicado o abandono de tanta criança, tanto velho, tá explicada tanta exploração de tanta gente. Tá explicado o roubo geral de direitos constitucionais, humanos, básicos e fundamentais. São os interesses empresariais, com os bancos por cima, dando respaldo. É a "máquina de moer gente" do Darcy, em pleno funcionamento.

Grupos de milhares controlando uma sociedade de centenas de milhões, em seu benefício - como paga da sua traição pelos banqueiros e mega-empresários estrangeiros - e em prejuízo da própria sociedade.

As delações da Odebrecht são só a ponta do véu levantada, o véu institucional que cobre o funcionamento verdadeiro de toda a máquina pública, em sua dimensão nacional, regional e local, em todos os setores. As instituições, infestadas por dentro, servem de parte deste véu, sentem-se parte acima da sociedade, são induzidas a olhar os mais pobres como inferiores e não como vítimas de crimes sociais, a quem se deve reparação - no mínimo em respeito pessoal - em programas estatais de resgate das populações vitimadas pelo Estado. Pelo que se vê, a serviço empresarial, sempre, pois sempre há os que se beneficiam desses crimes coletivos. Toda a máquina estatal está aparelhada por interesses banqueiro-empresariais. As instituições não podem se resolver, foram criadas de forma a não funcionar em benefício da população, a não ser cenicamente, em pequena parte, infinitamente abaixo do que deveria, pra criar a imagem mentirosa de funcionamento.

Tá explicado também a brutalidade das forças de segurança, seu treinamento pra guerra, não pra paz social, verdadeiras forças de combate e de contenção de massa. Tá explicada a quantidade de investimento em armamentos "não letais" e caminhões pra dispersão de multidões. O povo é a principal vítima da estrutura, é de se esperar que se levante aqui e ali, em algumas ocasiões, mesmo com toda a idiotização da mídia. O investimento e a "formação" das forças de segurança é um elemento estratégico. É preciso que não se sintam parte do povo, é preciso distanciar, segregar, criar abismos. As instruções e treinamentos, de um lado, e o comportamento induzido dos agentes, agressivo com quase todos e violento com os mais pobres, cria a rejeição popular necessária, do outro lado. Taí a "cidade da polícia", "enclave" construído em Del Castilho, símbolo do que eu tô falando.

Tá explicado o predomínio dos valores empresariais na educação, em sua pequena fração que funciona, a particular, onde a sociedade é apresentada como uma arena competitiva, e não como uma coletividade que pretende a harmonia social. E que vença o melhor. Os outros merecem a "derrota". Essa a mentalidade criada, há muitas gerações. A educação pública é feita pra engabelar, claro, o mais imprescindível trabalho, sem o qual nada funciona, é o braçal, o "desqualificado" e o de "baixa qualificação", é preciso produzir a mão de obra, assim, traiçoeiramente. Interesses empresariais.

É preciso ver as instituições como elas são, uma fachada pra esconder o que acontece nos bastidores, de onde controlam a sociedade toda e infernizam geral. Não tenho aqui uma "solução" ou uma "saída", acho que antes de escolher o que fazer é preciso enxergar a realidade. Quanto mais gente vendo o que é e como funciona o Estado e suas instituições - e bancos, empresas e suas corporações, no controle - mais possibilidade de aparecerem soluções localizadas, onde e como se fazem necessárias. Decisões e mudanças pessoais são também são coletivas e modificam o trato com a coletividade.

Os que lutam contra moinhos, dentro das instituições, têm sua importância no constante denunciar, no apontar permanente das falcatruas institucionais. No uso de algo do aparato público em favor da população, por pouco que seja. Apenas não têm, de onde estão, a capacidade de mudança social desde a raiz.

sábado, 15 de abril de 2017

Chega de esperança

Esse vídeo foi gravado no final do ano passado, acho que não publiquei ainda. Fala em esperança. No momento, a palavra me pareceu ligada a "espera", a inatividade, sentaí e espera. É preciso atividade, serviço, fazer em vez de esperar. Como na frase que escrevi, "chega de esperança, é hora de atividança".

Minha visão é mutante, como tudo à minha volta. Mas à medida em que percebo a realidade, algumas coisas vão se firmando. É a sociedade da mentira, da simulação, do engano, da manipulação do pensamento, dos desejos, dos valores, dos comportamentos, dos objetivos de vida. Quando se percebe e não se deixa mais levar tão facilmente, a vida toma sentido, gosto, cor e valor. E não se confunde mais valor com preço.


sexta-feira, 14 de abril de 2017

Pensamentos no ônibus

A idéia era ir de bicicleta. Mas choveu e fui de ônibus. Aí tive que esperar sentado, no trânsito, enquanto pensamentos me passavam na cabeça. Tirei o caderno e anotei algumas coisas que passaram, entre tantas.
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Antes de exigir as respostas, é preciso aprender as perguntas. Perguntar também é um aprendizado. Se as respostas não estão satisfazendo, é preciso modificar as perguntas até ficarem tão claras e precisas que as respostas esclarecerão, mesmo sem precisar, sem dar precisão. No mínimo, ficará clara a vontade ou a existência de razões pra não haver respostas.
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Caminhei no escuro durante muito tempo na vida. Cheguei a pensar que nunca veria luz natural, que não existia, só as artificiais, falhas e falsas, sempre sucumbindo à escuridão. Ao longo dos anos, em alguns momentos tive a impressão de ver alguma claridade se esboçando longe, no céu. como um anúncio da madrugada.  Mas logo achava que era só impressão, mesmo. Vários anos se passaram até firmar a certeza de que tava clareando. Décadas. Hoje, percebo uma tonalidade claro escuro, tipo entre quatro e meia e cinco horas da manhã de dia limpo. O anúncio de que vem a aurora ainda distante, mas vindo sem contenção, a cada momento mais. Mais pra noite que  pra dia, a luz apenas deu o ar da sua graça. Longe ainda de nascer o sol, um conforto é a certeza intuitiva de que o calor e a luz virão acabar com o frio e a escuridão.
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Anotei essas, foram muitas, sempre são. O tempo todo.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

O descaramento da farsa

Pouca gente assistiu a tv senado durante a votação da pec 55. Os poucos senadores que se opuseram a essa traição do povo convidaram a economista Maria Lúcia Fattorelli, reconhecida internacionalmente e participante das auditorias das dívidas públicas de Equador e Grécia, pra expor as criminosas intenções dessa pec maligna. E ela expõe, magistralmente, apesar da linguagem inacessível a um povo estrategicamente sabotado em educação, as falcatruas mais que claras do projeto desses traidores da nação. Irrespondível intervenção, constrangedoras e dolorosas verdades são jogadas às caras-de-pau dessa casa legislativa que, depois, ignoraram tudo e aprovaram a emenda constitucional, mais um estupro à constituição brasileira em favor de banqueiros internacionais, de mega-empresas, dos parasitas sociais podres de ricos, miseráveis de espírito. Serviçais de luxo desses interesses, que financiam suas campanhas, os parlamentares não têm como não saber o que estão fazendo. A pec 55 foi aprovada e está em vigor, o resultado se vê nas ruas, com o aumento de desabrigados, de cracudos, da violência, da criminalidade explosiva que não pára de crescer. Enquando isso, a mídia aponta como solução o investimento no sistema de repressão e carcerário, sem tocar sequer nas causas. Seria uma estupidez, se não fosse intencional.

Se a intenção fosse diminuir a criminalidade e a violência, bastaria cumprir a constituição nos seus artigos de direitos humanos, bastaria o Estado garantir o que está previsto nessa chamada "lei maior", a "carta magna", base do funcionamento da sociedade. Garantir a cada brasileiro alimentação decente, moradia digna, instrução de qualidade, informação verdadeira, atendimento médico em qualquer necessidade, condições de desenvolvimento humano, seria muito mais barato que o pagamento de juros e amortizações dessa dívida, como afirma e reafirma Fattorelli, ilegal, ilegítima e socialmente catastrófica, permanentemente denunciada e não investigada. Basta falar em auditar essa dívida com os bancos internacionais e a mídia fica histérica, gritando "calote! calote!" pra difamar a iniciativa conduzindo - como é sua função - a opinião pública com suas mentiras criminosas. Demonstração clara do que é a mídia privada e a quem serve, traindo a população com suas seduções e distorções. É óbvio o interesse na manutenção do caos, da criminalidade apavorante e paralisante, da miséria e da ignorância que infernizam a sociedade.

Há muito tempo, Getúlio Vargas mandou investigar essa dívida, que era muito menor que hoje mas já esmagadora do patrimônio público, e se revelou ilegal em mais da metade, caindo pra 40% do que era. A grita dos traidores se fez ensurdecedora e as pressões foram tamanhas que levaram Getúlio ao suicídio político que impediu o golpe programado pra derrubá-lo. Dez anos depois, o governo João Goulart apontava na direção de uma democracia ainda distante, favorecendo a organização dos mais pobres, implantando um programa de erradicação do analfabetismo, investindo na educação do povo, implantando uma lei que controlava a remessa de lucros de empresas estrangeiras, decretando uma reforma agrária que distribuiria terras pra mais de um milhão de famílias de agricultores, estimulando a agricultura familiar na produção de alimentos e aproximando o produtor do consumidor, sem os intermediários que encareciam os produtos. Por isso mesmo, debaixo de calúnias e invencionices, esse governo foi derrubado e implantou-se a "ditadura militar", com a mídia proclamando a "volta da democracia". Era preciso manter a ignorância, a desinformação, destruir e impedir a organização dos explorados, destruir o sistema de educação pública e impor o enquadramento do ensino privado. E a ditadura banqueiro-mega-empresarial foi mantida, aprofundada, enraizada e se mantém a pleno vapor. O estado de degradação social em que vivemos é estrategicamente deliberado. A formação da ideologia reacionária, conservadora, raivosa e ignorante, quando não mau caráter, é produção encomendada por esses seres desumanos que chafurdam no luxo, na riqueza, na ostentação e no controle social pelo mercado financeiro, indiferentes ao sofrimento de milhões.

Investir pesado em educação verdadeira, em informação leal e nos direitos sociais é arrancar as raízes da barbárie periférica, da violência e da criminalidade. Mas isso é simplesmente proibido pelos usufrutuários dessa estrutura perversa, que financiam laboratórios de pensamento pra criar mentalidades que serão implantadas pela mídia, sempre baseadas em falácias, falsidades e mentiras, apontando soluções punitivas que jamais deram resultado em nenhum lugar do mundo. A base dessa mentalidade, atualmente  nos Estados Unidos, produziram naquele país a maior população carcerária do mundo - maior que a da China, que tem uma população mais de cinco vezes maior que os EUA. É nesse caminho que estamos postos, subalternizados pelas corporações financeiras. Não há polícia, não há sistema prisional que diminua a criminalidade produzida no atacado pela miséria, pelo abandono, pela exclusão, pela exploração desenfreada da população. Estamos "travando a inútil luta com os galhos, sem perceber que é lá no tronco que está o coringa do baralho", como já dizia Raul Seixas.

Gostaria de lembra à esquerda arcaica a fala profunda de Fidel Castro - "acabou o tempo da revolução com fuzis. Hoje a revolução só pode ser feita com a conscientização". É preciso substituir o espírito de combate pelo de serviço. Obviamente será preciso um trabalho interno, individual em primeiro lugar, pra escapar do sentimento induzido de superioridade acadêmica, na criação da humildade necessária ao trabalho. Ninguém está imune aos condicionamentos do sistema social - através do modelo de educação e, sobretudo, do massacre midiático-publicitário que assola a coletividade como um todo. É igualmente preciso substituir a visão míope e imediatista pela visão a médio e longo prazo, deixando de lado as instituições dominadas e controladas, servindo nas periferias onde se encontram as pessoas mais importantes, imprescindíveis, sem as quais nada funciona. O trabalho mais necessário, mais indispensável de todos, é o trabalho braçal. Sem ele, não tem doutor que consiga exercer o seu ofício, seja qual for. Uma obviedade que passa, estrategicamente, despercebida, mas que pode ser facilmente demonstrada - a quem interessa, claro, os periféricos.

Ali, nas periferias, se encontra a sabedoria, a capacidade de superação, a resistência, ainda que inconsciente. No centro dos valores sociais, nas academias, se encontra segregado o saber, restrito a camadas minoritárias da população. Quando os que têm acesso ao saber descerem dos seus pedestais de vidro - a indução do sentimento de superioridade - ganharem o privilégio da humildade e se dispuserem a servir os que tiveram seus direitos roubados dos conhecimentos que lhes foram vedados, o saber se encontrará com a sabedoria e a evolução do sistema social será inevitável. Isso sabem os parasitas sociais, daí a sabotagem sistemática da educação e o controle férreo das comunicações do país, dominadas por poucos podres de ricos traidores da nação, a serviço de mega-interesses estrangeiros.

É preciso enxergar a realidade além do que é permitido, a partir das conseqüências escancaradas na sociedade como um todo. Como dizia Helder Câmara, "quando eu divido meu pão com os pobres, me chamam de santo; quando pergunto pelas causas da pobreza, me chamam de comunista". É proibido desvendar as raízes da degradação social, porque elas são criadas e mantidas pelos que dominam a sociedade, muito acima dos "poderes públicos", nos bastidores da farsa apresentada como "política", cuja finalidade é criar a ilusão de que o sistema é democrático. Chamar de política essa encenação de marionetes, impotentes pra tocar na estrutura dominada pelos vampiros no mercado financeiro, mas com o poder de trair toda a população, é colaborar com essa falcatrua, essa armação que torna a sociedade injusta, violenta, perversa, covarde e suicida.

Pra assistir a exposição do descaramento, https://vimeo.com/160568538.

observar e absorver

Aqui procuramos causar reflexão.