sábado, 22 de fevereiro de 2014

Reflexões em ziguezague

Maduro tá metendo os pés pelas mãos, enquanto os conservadores reacionários tentam reverter as mudanças na sociedade venezuelana, as mesmas que foram combatidas com o ódio característico dos privilegiados diante da ameaça aos seus privilégios. Eles não foram revogados diretamente, mas dependem da ignorância geral, da desinformação, do predomínio midiático narcotizando consciências. O acesso a uma educação de qualidade, ao atendimento médico que antes não havia, a visibilidade social antes inexistente, as políticas públicas voltadas a quem de direito, a população, são dinamites colocadas nos alicerces dessa estrutura social baseada na miséria e na exploração da maioria, sequestrado o Estado pelas forças econômicas de banqueiros e mega empresários, com todo o apoio da minoria privilegiada que deve seus privilégios à manutenção das desigualdades imensas sob sua gerência especializada. Daí o ataque furioso às políticas públicas implantadas e em curso, formando novas mentalidades e capacidades, com acesso garantido à população em geral.

Sem a tarimba de Hugo Chávez – que foi uma criança de pés descalços -, Maduro não consegue o grau de comunicação necessário pro entendimento popular - tomara que eu esteja errado. Atacando o “nazi-fascismo” ele fala com acadêmicos e letrados, minoria dentro do povo. Desce daí, Maduro, que não dá pra te ouvir de cima desse pedestal de vidro. Que nazi-fascismo é o caralho, são os ricos querendo retirar os direitos dos pobres, conseguidos a duras penas, sob ataque direto, indireto, enviesado, por cima, por baixo, por trás das elites venezuelanas, contando até com uma tentativa de golpe que passou raspando. Pra mobilizar as massas é preciso falar a língua das massas, é preciso ser um com as massas, é preciso pertencer à população, ter o sentimento do povo acima do conhecimento acadêmico, tão isolado da realidade do chão da sociedade. A elite venezuelana simula uma divisão, oposição “democrática”, dentro da lei, e oposição golpista, claramente hidrofóbica contra o “chavismo”e em relações carnais com interesses de mega-empresas e bancos internacionais, a típica elite local subalterna aos vampiros internacionais que dominam estados inteiros com seu poderio econômico-financeiro-midiático, acostumados a sugar o sangue de populações inteiras. Não é uma ruptura, mas uma divisão em alas. Enquanto uma permanece na legalidade e mantém a imagem, outra tem liberdade de agir criminosamente, simular ataques de falsa bandeira – aqueles que se faz pra culpar o inimigo – sabotar, simular, difamar, enfim, o velho arsenal sujo pra manter as desigualdades, a miséria, a ignorância e a exploração. Tudo com o apoio descarado das forças reacionárias dos anglo-saxônicos estadunidenses, sua grana sem fim e sua tecnologia de ponta. A única vantagem da Venezuela é a falta de inteligência dos conservadores – bem maior que a dos governantes da nação bolivariana, embora estes pareçam ter dificuldades em manter a comunicação próxima, quase íntima, que Hugo Chávez mantinha e que o tornava imbatível diante da histeria vampiresca. Espero que a previsão de Maduro se confirme pra logo, aquela que ele disse durante a comemoração da sua vitória nas eleições, “virão mais Chávez!”.

Black Blocs

Os blequibloques só apareceram no Brasil depois que a polícia atacou barbaramente as manifestações, instigadas pela mídia e por políticos apavorados. Alguém percebeu que as primeiras manifestações que ressoaram no país – e que foram brutalmente reprimidas pelas polícias estaduais - não apresentavam nenhum grupo de "combatentes civis"? Os blequibloques surgiram como uma reação à violência do Estado contra sua população insatisfeita em manifestação contra os desmandos e crimes da sociedade contra sua maioria, sem acesso a direitos básicos constitucionais e cada vez mais espremida por interesses empresariais que tomaram as instituições públicas e as levaram aos crimes contra a humanidade naturalizados no cotidiano. Manifestações pacíficas foram violentamente atacadas pelas forças de segurança, sem nenhum motivo, apesar das alegações posteriores, mentirosas e repetidas na mídia. Eu estava lá e vi, ninguém me contou. Em várias manifestações - as que eu fui e posso falar, além de outras que me contaram -, as bombas partiram da polícia, sem aviso nem motivo compreensível - embora se possa imaginar a estratégia de aterrorizar, criminalizar, caçar bodes expiatórios pra exemplar, forjar flagrantes, espancar, prender, barbarizar. Bombas e tiros foram a constante, no meio ou ao final das manifestações. Como se disse e repetiu por lá, “do nada”. Chegou-se ao requinte de armar emboscadas, postar tropas em locais estratégicos pra atacar as multidões em fuga. Algo repugnante, escandaloso. E agora a mídia (e esses políticos de merda) querem atribuir a violência nas manifestações aos próprios manifestantes, aos grupos de blequibloques, que defenderam os professores do ataque violento e inesperado da polícia - os próprios professores agradeceram em público a eles - isso a mídia jamais divulgaria. Manifestantes pagos, essa é boa... na ditadura se usou o mesmo expediente, apresentava-se uma ou outra declaração de alguém preso – que teria recebido dinheiro pra “se manifestar”- e a mídia fazia o resto, martelando que todos os manifestantes são pagos por forças do mal. Ora, uma olhada nas manifestações e se percebe o ridículo da idéia mentirosa. A gari paraense que, mesmo fugindo das manifestações, morreu por inalação de gás lacrimogêneo; o camelô de 70 anos, na Central do Brasil, atropelado por um ônibus ao fugir das bombas da polícia; o rapaz que passava pela manifestação na Paulista e nem participava, morto por um tiro das forças de segurança; os caras que caíram do viaduto em belorizonte, fugindo da cavalaria em carga; os mortos, mutilados e feridos vários pela repressão oficial às manifestações de um povo enganado, sabotado, roubado em direitos e patrimônio público, além de explorado até o talo, tudo passa batido e a mídia diz que o vandalismo vem dos manifestantes. Como conter o desprezo?

Não tem medida a estupidez de não enxergar o vandalismo criminoso do Estado no cotidiano da maioria das pessoas. Quem vê seus parentes mais velhos serem tratados com desprezo pela saúde pública, quem convive com a arrogância brutal dos “agentes de segurança pública”, quem precisa usar qualquer serviço público, inclusive os privatizados, como transporte, energia, fornecimento de água e tantos outros, sabe na própria pele que democracia é uma grande mentira. Sabe, mas não sabe que sabe, porque tem roubadas as condições de se instruir – o ensino público não é mais que uma fachada, no fundamental e no médio – e de se informar – a mídia foi construída privada e estendida por todo o território nacional, numa estratégia óbvia de roubar as consciências. No entanto, a intuição sente. E grupos de informação, de comunicação periférica, comunitária, estão se formando, ainda pouco a pouco, mas com uma força contagiante.

Esquerda governista e direita opositora se unem na grita contra os blequibloques. (Sei que há esquerdistas que negam ser o governo de esquerda, mas isso é outra discussão). A direita, com seu ódio irrefreável contra tudo o que ameace a estrutura social, apavorada com a falta de cabeças pra cortar e criando pretextos pra investir mais e mais na repressão (aos movimentos populares de insatisfação) a que foram reduzidas as “forças de segurança pública”. A esquerda, em seu vício intelectual autoritário, rejeita tudo o que não pode ou consegue controlar, na sua velha ilusão de “conduzir as massas”, em seu velho cacoete de dominar – e, sobretudo, sobrepor a teoria à prática. As chamadas esquerdas me parecem velhas, desinformadas, míopes, medíocres, acuadas, repetindo velhos erros e vícios, com o medo das periferias misturado com um sentimento de superioridade imposto nos “cursos superiores”. Não aprenderam os códigos de comunicação dos mais pobres, sua integração afetiva, sua percepção intuitiva e alimentam sentimentos de superioridade falsa, condicionada pelas convenções. Daí não poderem ter o respeito devido às multidões de excluídos, não conseguirem falar a língua da maioria e atribuir a responsabilidade pela incompreensão ao próprio povo. Tampouco conseguirem entender a dinâmica e o procedimento dos blequibloques.


Questionar, não!

A senhora indignada no elevador do Leblon, descendo a lenha nesses políticos petistas safados, nas cotas, na bandalheira das upepês que não deram solução na criminalidade, eu calo mas penso, ora minha senhora, esses são só os bonequinhos da vez, que fazem o que mandam os verdadeiros patrões, os banqueiros e mega empresários que precisam manter o povo nessa ignorância horrorosa, sem direitos constitucionais e tratado debaixo de porrada, esses poucos riquíssimos é que comandam e produzem essa criminalidade toda. Pensei, mas não disse. Quando eu tinha esses arroubos lembro do monte de problemas que arrumei. Uma pacata velhinha de cabelos brancos se transforma em um monstro de garras e dentes afiados, olhos de fogo em ódio pleno, capaz de te devorar num instante, se a porta do elevador não abre a tempo de sair correndo na frente sob os olhares reprovadores na portaria, em ver a doce anciã sendo deixada pra trás por um marmanjo mal educado. Olhando de longe, ninguém diz. Nem de perto – a não ser que se pronunciem umas palavras mágicas... Não se questiona a pobreza e suas causas entre privilegiados, a não ser que se queira barulho e mal estar. Dom Hélder Câmara, bispo, ou arcebispo, não sei, foi quem disse “quando divido meu pão com os mais pobres, me chamam de santo; quando pergunto pelas causas da pobreza, me chamam de comunista”. É isso aí – vai pra Cuba! 

Rolezinhos

Os tais rolezinhos são uma homenagem ao deus consumo, em seus templos máximos, os chópins, a confirmação dos valores criados pelos publicitários e marqueteiros pagos pelos reais poderes da sociedade – acima da política, obviamente – e impostos pelas mídias privadas, eletrônicas ou não, pra produzir desejos irrefreáveis de consumo. Pra maioria, consumos impossíveis. Mas o condicionamento cola. O movimento dos rolezinhos estão de acordo com os valores vigentes, a não ser por um detalhe – essa parcela da população tem como destino programado a invisibilidade. É essa invisibilidade violada que levantou a reação, seguranças e polícias pra reprimir as vítimas de sempre, os pobres que não se contentavam em ficar nos seus guetos, bem longe dos olhares medrosos das classes mais abastadas –  os “finos”, como diz Leonardo Sakamoto.

Ler nas entrelinhas...

O ano passado deixou montes de lições que percebo difíceis de serem assimiladas com os padrões de pensamento dominantes, mesmo entre os que se pretendem revolucionários. Alguém ligou a renúncia (surpreendente, inesperadíssima) do Serra ao helicóptero de pó dos Perrela, ainda por cima indicando seu desafeto, o Aécio, como o “melhor” candidato? Acho que a deduragem do helicóptero pra sujar o Aécio de pó cutucou um monstro muito maior, o tráfico internacional. Não se entrega uma carga desse tamanho, com a qualidade que tinha, impunemente. O resto é fácil de imaginar, com o resultado que se viu.

  Vi gente boa, que tem na imagem verde-amarela o símbolo do seu amor à raiz, à união nacional, à população e ao território em torno, algo assim, ser acusada de fascista, ser dicriminada como “positivista” e outras idiotices arrogantes de acadêmicos inseguros de si e agarrados às suas linhas ideológicas. Essas pessoas, arrogantes, julgadoras, cobrativas, têm a oportunidade de perceber a distância em que se colocam com esses sentimentos de superioridade, esterilizando a maior parte das possibilidades de desenvolvimento social ou individual que podem produzir. O que o cidadão comum tem, ao vestir a bandeira brasileira, é um bom sentimento, não necessariamente ligado à ideologia dos criadores do símbolo ou a nenhuma outra. 

Levar em conta o pensamento dos pensadores não significa repetir seus erros, muito menos abrir mão de pensar com a própria cabeça e sentir com o próprio coração, ver com os próprios olhos e ouvir “cas própria zurêia”. Peguei antipatia pela palavra fascista, ninguém a conhece fora dos meios acadêmicos, ou talvez em algumas pequenas bolhas anexas. Neguinho não sabe que porra é essa e esse jargão faz tempo  que causa uma certa antipatia e prevenção, trabalho bem feito pela mídia privada pra ridicularizar e esterilizar os modos “revolucionários”, desqualificando o tipo, desacreditando, criando motes e jargões desmoralizantes. E dá-lhe luta de classes, burguesia, paradigma, contra-revolucionário, nazi-facistas, marco regulatório, disputa de hegemonia, lacaios do capital, interesses do capital,... Esses caras fogem da língua brasileira, nem a conhecem e querem esclarecer e conduzir as massas, falando academês. Ora, faça-me o favor...

Repetir expressões revolucionárias seculares, adotar cartilhas ideológicas sem levar em conta a dinâmica das coisas é se bater contra gigantes entranhados no inconsciente coletivo. A rejeição ao linguajar revolucionário está entre eles. É preciso violar essas formas. Agir de outra maneira, criar, acompanhar a comunicação intuitiva da maioria, aprender antes de ensinar, buscar a igualdade, primeiro, internamente. Uma busca permanente. Aprender os códigos de comunicação das periferias e usar no cotidiano é uma necessidade. Tudo o que se diz em academês pode ser dito na língua geral brasileira. Einstein dizia que “se você não consegue expressar qualquer idéia de maneira simples, é porque não entendeu direito”. Repito, cabe aprender, permanentemente. Com mais velhos e com mais novos, com situações e acontecimentos, com vivências e convivências, com letrados e com analfabetos. É preciso distinguir o saber da sabedoria. Todo o cuidado com o saber é pouco, não é à toa que ele está cooptado e controlado nas instituições pra servir a interesses empresariais.O saber facilmente estimula a arrogância. A sabedoria, ao contrário, contém a humildade em si, ou não é sabedoria. Ela vem da vivência, do cotidiano, do dia a dia levado em conta, do sentimento, da intuição. Pro orgulho, a humildade é humilhante. Para a humildade, o orgulho é estúpido.

Sentimento

Considerando que os sentimentos são o fator mais determinante no bem estar da gente, observo a pouca atenção que se dá. Não cuidamos dos sentimentos que permitimos se desenvolverem em nós, quando vemos estamos envolvidos por eles e agindo de acordo. Se o sentimento da raiva (não conheço ninguém que tenha prazer em sentir) é tão desagradável, por que permitimos que ela nasça e cresça dentro de nós com tanta facilidade, destruindo a paz de espírito e o bem estar, além de afetar todo o ambiente onde estamos? Não cuidamos tampouco dos sentimentos que produzimos em torno, nas pessoas com quem estamos em contato. Se cuidamos desse lado, muda a visão de mundo, o sentimento de vida, a percepção do que acontece tanto individual quanto coletivamente.

É preciso mais sentimento e menos razão. Não é que a razão não tenha seu imensurável valor, na análise e compreensão das coisas, no desenvolvimento tecnológico, no conhecimento humano... claro. O que digo é que a razão não pode estar no comando. A razão sem o sentimento, movida por interesses materiais, em poderes e riquezas, pode se tornar facilmente criminosa, pode ser usada na traição da coletividade, conduzindo pensamentos, valores, comportamentos, de forma a escravizar a maioria para privilegiar pequenos grupos. Como se explica a estrutura social em que vivemos? Aqui eu deixo claro que não estou escrevendo pra quem acredita na realidade distorcida que a mídia privada nos enfia güela abaixo da consciência – que é roubada cotidianamente –, esses podem abandonar aqui, se é que já não abandonaram. Um texto da veja deve estar mais a gosto. Um editorial do globo.

Duvido, se o sentimento estivesse acima da razão, que existisse gente abandonada à própria sorte, na miséria das periferias, que existisse a situação de tortura diária nos transportes públicos, essa priorização absurda de interesses empresariais em prejuízo de coletividades inteiras, o ser humano  colocado abaixo do patrimônio, da propriedade, a maioria sem valor diante de uma minoria supervalorizada, mediados pelas classes médias pressionadas. Uma aberração que só a razão pode arrumar explicação, mas que o sentimento nem responde, só balança a cabeça e vê as mentiras e distorções ideológicas pra sustentar o absurdo, a injustiça e a desumanidade. Valorizando o sentimento em nós mesmos, valorizamos os sentimentos do mundo, porque é tudo interligado, como sabem os orientais e os povos originários daqui. A partir de dentro é que podemos participar do processo universal de mudanças que rola, percebendo com os sentimentos e a razão em equilíbrio, a razão para servir ao sentimento de coletividade, a serviço do bem geral. Em última análise, ao ser humano como um todo, colocado no centro da sociedade em relação com todo o ambiente, planetário e cósmico. A realidade que nos toca são as nossas relações, a nossa sociedade e sua estruturação, mutante ao longo do tempo mas sempre encontrando reações violentas dos beneficiados pelas injustiças. Nossa espiritualidade, no momento, é exercida na matéria e nela se desenvolve. Daí ser muito mais importante o que se faz do que o que se pensa ou acredita. Isto se muda de uma hora pra outra. Já o que se faz, uma vez feito, não se pode mudar.

Acredito ser um grande equívoco pensar que rituais e louvações, rezas e orações, doações e oferendas são mais importantes que as ações e reações do dia a dia, dos sentimentos que se têm e causa nos demais, os relacionamentos, a sinceridade, a boa vontade, o respeito. Não posso crer que deuses gostem de puxa-sacos, que precisem de louvações – não seria supor vaidade? – ou oferendas. Respeito, no entanto, e admito a possibilidade de estar errado. Também não quero aqui me arrogar o direito de classificar de certo ou errado atitudes e escolhas alheias. Acredito que certa é a crença que torna uma pessoa melhor, mais tolerante, compreensiva, respeitosa, enfim, mais sábia. Em todas se encontra. Como em todas se encontra hipócritas. Quantos acendedores de insenso, entoadores de mantras e ôhms, em contato com "as energias mais sutis" vi por aí, vestindo sua máscara de superioridade espiritual pelas ruas, isolados em seus medos e preconceitos, julgadores de todos, menos de si mesmos, revelando na prática o que tentam esconder na teoria – há sempre incautos, ingênuos e inseguros pra sustentar a farsa.

Vi um sargento da peeme de Petrópolis ficar indignado com a proibição da maconha, sempre haviam dito a ele que ela provocava instintos destruidores. E ele estava se sentindo mais em paz do que nunca, com um sentimento tão bom que era revoltante tudo o que até então ele pensava que sabia. Era a primeira vez que ele experimentava e se sentiu enganado. Mas só teve a oportunidade dessa experiência, que certamente frutificou nas idéias que ele levou pro seu meio militar, porque foi recebido, na sua primeira abordagem, com consideração e respeito. O que foi se transformando, pouco a pouco, em afeto, em confiança e a oportunidade se apresentou. Com certeza ele não vê mais o usuário como bandido. Mas é preciso paciência com os que se deixam levar pela mídia de que o usuário é o responsável porque “sustenta” o tráfico. Se for terra fértil, é preciso lembrar  que se usam plantas alucinógenas e alteradoras de consciência desde que a humanidade existe, há muitos milhares de anos, pra tirar por baixo. Sempre se usou sem problema, no império era comum se fumar a ganja em qualquer ambiente, sobretudo entre os de baixo, mas não apenas. O tráfico só começou muito depois das proibições. Se há consumo de qualquer coisa que se proíba, se estabelece o “mercado paralelo”, corrompendo instituições e se infiltrando, com o poder econômico avassalador dos donos desse “mercado”. O usuário é o primeiro prejudicado, de inúmeras maneiras fáceis de imaginar, mesmo pra quem não conhece.

Copa

A tal da copa taí, se abeirando. Promete-se barulho. Forças de segurança foram treinadas pra atacar, dissolver, espancar, prender, forjar,... providências jurídico-legislativas foram descaradamente tomadas, leis foram feitas equiparando grupos de manifestantes a quadrilhas formadas para roubar e, eventualmente, matar. Uma aberração que até me formiga a mente quando tento entender. Só má intenção pode explicar, só a certeza da impunidade pra sustentar tal mentira, claramente a serviço de uma entidade privada internacional a quem foi entregue boa parte da soberania nacional sobre o território, sobre as leis vigentes e sobre o que eles puderam querer. Além, claro, de proteger esta estrutura social injusta. Não faço previsão. Vejo “forças políticas” de governo e de oposição se preparando pra “capitalizar” os movimentos. Não vai ter copa tá ressoando no ar. É preciso criatividade, os movimentos parecem previsíveis, bora ver os resultados, as consequências. Não creio na centralização – embora perceba os preparos neste sentido. São os profissionais da cooptação, instalados na política institucional. A mim parece que eles se exporão a vários sustos. Se sentindo experientes, não percebem a tsunami que se forma no horizonte. Surfistas de marolas, de pequenas coletividades, envolvidos em suas ilusões e agarrados em suas cartilhas revolucionárias, não sabem o que os espera... Gostaria de falar com eles, mas não tenho crédito, não tenho referências... e ainda me aplico a dispensar muletas e estimular a dispensa. Que cada um pense com a própria cabeça e trataremos de arrumar convergências. Os revolucionários ortodoxos não gostam disso.

Impérios

A China tá lá, crescendo a olhos vistos, fazendo seus malabarismos pra compor o capitalismo predador que domina o mundo, contra o qual não se pode contrapor diretamente, e o comunismo de origem maoísta dominante. Pra isso contam com a sabedoria milenar das suas dinastias, da sua história escrita que torna a história européia uma historinha. Os títulos da dívida pública estadunidense estão em suas mãos – embora não se possa cobrar, é um bom fator de pressão – e a preocupação das elites já se reflete no recuo dos Estados Unidos nos conflitos do oriente médio, compondo com o Irã, se acertando por vias tortas com a Síria, deixando os interesses imediatos dos israelenses meio de lado e investindo nas manobras com o Vietnã do Sul, seu aliado, com a Coréia do Sul, com a Austrália, como com o Japão, deslocando tropas e armas pra região do Pacífico, ao sul da Ásia e da China, que observa as movimentações com atenção e já se pronunciou a respeito várias vezes, investindo também no seu poderio militar. A Rússia, de olho, também sofre assédio em outras áreas e tem atuação decisiva no equilíbrio do Oriente Médio. É um aliado potencial da China e desequilibra a balança contra os Estados Unidos. Nesse caso, os poderosos já estão prontos pra abandonar o barco. Sua pátria é financeira, qualquer lugar serve.

Clarividência ou viagem?

Na minha percepção, o mundo caminha pra não ter nenhum lugar que lhes sirva. Pegarão naves espaciais e sumirão no Universo? Imagino imensas estações orbitais, com vôos regulares para a superfície do planeta, em busca de suprimentos, com soldados armados e funcionários truculentos, a recolher as produções de áreas cercadas e protegidas, destinadas a abastecer as estações onde toda a tecnologia mundial foi utilizada. Imagino também as filas de cooptações de serviçais, foguetes ônibus a levar as multidões de serviçais pra fazer funcionar tudo. Isso é o que eles pensam. Sem eles aqui, cooperaremos, nos irmanaremos e, com o tempo, ocuparemos as áreas de produção, nos irmanando com os antigos guardas e funcionários que, ao ver a população cooperando, criando áreas independentes de produção, reativando o trabalho artesanal, valorizando as coletividades, vivendo em solidariedade, perceberão o que estão perdendo servindo à mentalidade egoísta dos seus patrões. As filas de candidatos ao trabalho nas estações desaparecem. Os que lá estão são escravizados e disputados entre os antigos privilegiados. Matam-se os que tentam fugir, morrem muitos em rebeliões, os maus tratos se enormizam. O drama vai virar história.

As enormes estações em órbita estarão em pandarecos, sem os servidores para a manutenção, sem os empregados que tornam a vida dos ricos possível. Nada funciona, passa-se sede e fome. Enfim, depauperados, desesperados, desamparados e esfomeados, começam a chegar os próprios privilegiados, descendo das suas ilusões orbitais, pouco a pouco, a pedir comida e água, a sentir o mesmo sofrimento que tanto produziram direta ou indiretamente, mas sempre com indiferença – talvez um lamento longínquo e inócuo. Mas encontrarão a solidariedade que não tiveram, aprenderão a produzir pro seu próprio consumo e a resolver os próprios problemas, porque não haverá mais pobres pra servir, embora existam irmãos prontos a cooperar. Virarão gente, finalmente, e nos assumiremos como a família que sempre fomos.

Bueno, termino com este sonho.



Preciso estar fora por um tempo desse mundo virtual. Não que não vá postar mais, ou nunca mais, é apenas uma redução drástica. Outras áreas me chamam a serviço, tenho andado indolente nelas. Vez por outra devo fazer uma postagem. Abraços a todos.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Documentário esclarecedor demais - nem ponho o nome no título, pra não chamar a atenção...

Esses são os links de um documentário que acho essencial pra entender a realidade em que vivemos. A primeira vez que vi tava livre na internet, depois foi dificulltando e hoje é difícil de encontrar. Se eu tiver o direito de recomendar alguma coisa, recomendo  assistir logo, antes que desapareça - há interesses nisso, obviamente. Tomar consciência é tudo o que o poder real, muito acima da política rasteira que somos obrigados a engolir, quer evitar. É preciso ignorância e desinformação pra se sustentar este sistema social em que vivemos. É muita exploração e desumanidade em nome de lucros empresariais.


The Century of the Self (doc BBC Parte 1 - Máquinas de felicidade):http://www.dailymotion.com/video/x15ov47_parte-1-maquinas-de-felicidade_shortfilms?search_algo=2
>> The Century of the Self (doc BBC Parte 2 - A engenharia do consentimento):http://www.dailymotion.com/video/x15p6mp_parte-2-a-engenharia-do-consentimento_shortfilms
>> The Century of the Self (doc BBC Parte 3 -Há um policial dentro de nossas cabeças. Ele deve ser destruído): http://www.dailymotion.com/video/x15p6pk_parte-3-ha-um-policial-dentro-de-nossas-cabecas-ele-deve-ser-destruido_shortfilms>>
The Century of the Self (doc BBC Parte 4 -Oito pessoas bebendo vinho em Kettering): http://www.dailymotion.com/video/x15p6q5_parte-4-oito-pessoas-bebendo-vinho-em-kettering_shortfilms 

observar e absorver

Aqui procuramos causar reflexão.